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28 de janeiro de 2020

Era uma vez uma menina de olhar esverdeado que gostava de cantar na frente do espelho, pular corda, jogar bola e subir em árvores. Vez por outra desbravava o céu, pegando carona com as nuvens, só pelo prazer de contar as estrelas.

Diante deste universo paralelo sentia-se tão feliz e grata que era imensurável o tamanho da alegria despertada no seu viver. Enquanto “viajava” não se importava com as vozes sussurrantes que insistiam a lhe dizer: – Você pode cair e se machucar! Nem com outras que lhe diziam: – Você vai ver só: irás pagar um preço alto por querer voar! Nada disso diminuía o desejo de encontrar o seu lugar no universo.

O tempo passou e a menina que sonhava, adormeceu. Despertando, já mulher, percebe que alguns sonhos se perderam. Havia se esquecido do principal, esquecera de si. Um vazio apoderou-se de seu peito e ela, então, gritava, seu coração palpitava, o suor era intenso e uma dor lhe dominava. De repente, um pássaro, que por ali sobrevoava, pousou em sua janela e alegremente começou a assoviar. A canção era tão intensa que fez com que recordasse sua infância.

Lembrou-se do quanto precisava resgatar antigas emoções. Agora, vendo-se novamente como a menina de olhos verdes, reascendem seus verdadeiros sentimentos que a faz reconectar-se com o valor que dava à sua vida. Desta vez, já amadurecida, começou novamente a subir os degraus da escada imaginária, sem pressa, bem devagar. Sabia que não poderia apagar aquelas vozes que ainda tentavam lhe cercear, mas, poderia cantar (como os pássaros).

Assim, aos poucos, as vozes se soltariam junto ao vento e se perderiam no tempo!

Boa Reflexão…

Gisela Purper Barreto – Escrita Criativa – Psicóloga clínica/Pós-graduada em Arteterapia – Contato: (51) 985843945